Teoria da Alma

sexta-feira, 22 de maio de 2009

The Show Must Go On

Ainda penso em você.
Claro que aos poucos a ferida vai cicatrizando, mas e daí?
É mais uma cicatriz que se junta às outras, todas, todas suas.
E como esquecer, se as cicatrizes permanecem? Olho para elas, elas estão ali, não me deixam esquecer você.
Por que será que você continua sendo sempre a referência que eu tenho de amor, de relacionamento, de felicidade a dois? Por que, mesmo sabendo que tudo o que você me mostrou até agora foi justamente o contrário dessas coisas?
Eu sei disso, a minha parte razão sabe, mas o coração... continua pedindo por você. Continua esperando o telefone tocar, a campainha tocar. Por mais improvável, por mais irreal. Eu continuo esperando você.
O que será que é preciso para eu conseguir acabar com isso? Para fazer você sumir, ir embora de dentro de mim?
Eu me sinto melhor, os dias passam, a vida anda, mas eu ainda estou parada. Esperando por você.
A vida passa diante de mim como um filme. A vida é um filme. Eu sei. Eu li isso naquele livro, lembra? Achei isso o máximo. Achei isso tão certo. E hoje sinto que eu sou uma mera espectadora do filme. Ele passa, e eu espero. Eu continuo parada, esperando.
Como participar do filme, como atuar nele, sem o personagem principal?
Eu sei, eu deveria ser o personagem principal. Ou 'a' personagem. Personagem é substantivo feminino, não é? Então, repetindo:
como atuar no filme da minha vida sem a personagem principal, que, agora, continua sendo você? Eu sei que eu deveria ser a personagem principal. Mas mesmo sabendo disso, continuo reservando esse papel para você.
E o problema, eu bem sei, é que você continua atrasado para assumir seu papel. Será que um dia você vem?
A pergunta está errada. A pergunta certa é: por que eu continuo esperando? Eu não deveria substituir o ator, para que a personagem ganhe vida e eu possa continuar o filme? Faz algum sentido continuar esperando por alguém que nunca chega?
Não, não faz. No entanto, eu fico aqui, parada, esperando. Quem sabe você chega e eu posso continuar com a minha vida, com o meu filme. Enquanto isso, pausa. Tudo está em pausa. Minha vida está em pausa. Até você chegar. Você vem? Quando você chega? Será que hoje? Amanhã? Eu não posso sair daqui. Tenho que continuar parada, esperando. Vai que você chega justamente quando eu saio?
A vida é um filme. Minha vida, a sua vida. Nossas vidas são filmes, vários, de todos os gêneros: comédia, drama, aventura, terror, ação, suspense.
Cada pessoa tem seu próprio filme e, também, tem a liberdade para transformá-lo em qualquer dos gêneros acima. O filme é seu, você faz com ele o que quiser. Eu faço com o meu filme o que eu quiser. Então por que, se a responsabilidade é só minha, por que meu filme está parado? O show tem que continuar, não é assim? Não importa o que aconteça. The show must go on.
posted by Karime at 22:40

1 Comments:

Oi, Kaká. Conheço uma história muito parecida com a sua. E o final feliz dela foi que a mocinha viu que era bobagem ficar esperando, que ele sabia onde encontrá-la, que se ele chegasse e ela não estivesse, moveria céu e terras, até achá-la.Sabia também que, aliás, ele nunca deveria tê-la perdido. Perdeu-a porque assim o decidiu. E não cabia a ela esperar. Era preciso, urgentemente, desistir daquele filme. Era preciso um novo roteiro. Escrito por ela. Para ela.

24 de maio de 2009 17:09  

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